25 maio 2011

USP desenvolve projeto que substitui o carro por bicicletas nos deslocamentos dentro da Universidade



 
O PedalUSP foi desenvolvido em 2009 e é fruto de trabalho de conclusão de curso de dois alunos de Engenharia Mecatrônica, Mauricio Villar e Maurício Matsumoto

Gabriel Bacarin, 19 anos, aluno de Engenharia Mecatrônica da Politécnica da USP, estava atrasado e precisava se deslocar em cinco minutos do prédio da Mecânica ao do Biênio para entregar materiais aos seus colegas de grupo. Nessas horas, a bicicleta do PedalUSP é uma importante aliada. "Sou usuário do transporte alternativo desde que foi criado (4 de maio) na Poli. As bikes têm ótima qualidade, acessórios para transporte de objetos, sinalização (sonora e visual), retrovisor e facilitam meu dia-a-dia. Como estão em teste, às vezes podem falhar, mas avisamos o técnico e logo o problema é resolvido".

O projeto PedalUSP foi desenvolvido em 2009 e é fruto de trabalho de conclusão de curso de dois alunos de Engenharia Mecatrônica, Mauricio Villar e Maurício Matsumoto. Eles criaram o sistema automático de bicicleta compartilhada que dispensa atendentes nas estações. Alunos, funcionários e professores fazem cadastro no site do PedalUSP (www.usp.br/pedalusp) e estão aptos a utilizar as magrelas gratuitamente.

Em fase de testes até novembro, os usuários têm à disposição quatro bicicletas nas estações Mecânica e Biênio da Poli. Em vez de carro, carona ou ônibus, os 700 metros de distância entre um local e outro é percorrido de bicicleta em apenas 5 minutos. Além da agilidade, a alternativa beneficia o meio ambiente e a saúde do ciclista. A pedalada é livre para os demais departamentos da USP, desde que a bicicleta seja devolvida numa das estações em até 20 minutos. 


Parcerias 

A pessoa passa a carteirinha da USP no sistema ao lado da estação, solicita a liberação e escolhe a bicicleta. Quem não cumprir os 20 minutos para devolução sofrerá penalidade, que varia de dois dias de suspensão (atraso de 21 minutos a duas horas) até interrupção definitiva do serviço (atraso de 24 horas).

O projeto é embrionário, mas já têm adesão de 400 uspianos cadastrados. "Nos três primeiros dias do projeto, cada bicicleta foi utilizada dez vezes por dia. Depois, a média caiu, mas a receptividade é muito boa; as pessoas só criticam a pequena quantidade de estações e de unidades no câmpus", informa um dos idealizadores do PedalUSP, Mauricio Villar. Ele diz que os prédios da Poli foram escolhidos para testar a iniciativa porque são locais de baixo fluxo de pessoas (400 por dia).

As estações interligam-se por sistema em tempo real que se comunica com uma central. Ao acessar o display ao lado da estação ou a rede pela internet, o uspiano informa-se sobre a quantidade de bikes disponíveis e em quais locais. Sabe também em qual estação tem baia livre para devolução.

Após seis meses de teste, em novembro, a continuidade do projeto dependerá de parcerias. "Planejamos expandir o PedalUSP e oferecer 10 estações com 100 bicicletas, mas buscamos bancos, empresas de bens de consumo, telefonia e fabricantes de peças interessados em nos ajudar", informa Villar. Ele calcula que serão necessários R$ 500 mil, empregados para adquirir novas unidades e caminhão de médio porte para redistribuí-las conforme a demanda,  bem como instalar uma oficina de reparos e sistema central de operações.



Bike no Metrô

O plano é construir as estações na "região plana", que concentra a maioria dos departamentos da USP. O câmpus tem 4,5 quilômetros quadrados, sendo que a região plana corresponde a 3 quilômetros quadrados. Das 100 mil pessoas que circulam diariamente na USP, 65 a 70 mil são uspianos. "Futuramente, em outra fase, poderemos cobrir todo o câmpus com 50 estações e 500 bicicletas", adianta Villar.

Os dois engenheiros, idealizadores do projeto, viraram empreendedores. Abriram a empresa Comparti Bike, instalada na incubadora do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da USP. Com esse apoio técnico, a expectativa é sucesso no mercado. "Queremos levar o sistema a outras universidades e cidades. Já temos algumas instituições interessadas, uma delas é o Metrô", avisa. O Metrô estuda a possibilidade de parceria para criar uma estação de bike no Metrô Butantã, o que facilitaria o acesso dos uspianos à Universidade.


Serviço

Professores, alunos e funcionários podem  retirar as bicicletas gratuitamente nas Estações Biênio e Mecânica da Poli de segunda a sexta-feira, das 7h às 20h. Contato com os idealizadores do projeto pelo site www.usp.br/pedalusp ou telefone (11) 3039-8395.

http://www.oserrano.com.br/mais.asp?tipo=Local&id=21016

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