Com custo menor de implantação que metrô, VLT é ideal para cidades com até 2 milhões de habitantes; em SP, seria útil se integrado ao trem e metrô
São Paulo – Em meio às discussões atuais sobre transporte público no Brasil, o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) é uma opção cada vez mais lembrada pelos especialistas.
O meio de transporte pode ser uma alternativa interessante para o trânsito em grandes cidades. Metrópoles como São Paulo estão entre aquelas que poderiam se beneficiar desse tipo de veículo.
Segundo Creso Peixoto, especialista em transportes e professor da
Fundação Educacional Inaciana, o VLT é herdeiro direto dos bondes de
antigamente. "Normalmente, ele circula em pistas ao nível da superfície
ou em vias suspensas", afirma Marcos Cintra, professor de economia e
vice-presidente da FGV.
Usando combustíveis como energia elétrica ou diesel (fora de áreas
urbanas), o veículo ganha diferentes nomes quando circula em meio a
carros e ônibus (bonde), em faixas parcialmente segregadas (tramway) ou
pistas exclusivas (metrô leve). "A qualidade do VLT é ser um sistema
limpo e sobre trilhos", defende Peter Alouche, engenheiro da Trends
Engenharia e Infraestrutura. Limpo, claro, quando é elétrico, e não
quando usa diesel.
Entre os especialistas, são várias as opiniões em relação a introdução
do VLT em São Paulo. Veja quais as vantagens e desvantagens da
modalidade de transporte:
Prós
Com trilhos construídos na superfície ou em elevados, a implantação
do VLT tende a ser uma opção mais barata do que a construção de linhas
de metrô. "O gasto para a construção dos túneis utilizados pelo metrô é
até 10 vezes maior", afirma Peixoto.
Em São Bernardo do Campo (SP), por exemplo, cada quilômetro do VLT
deverá custar cerca de 50 milhões de dólares, segundo o especialista.
O
valor é cinco vezes menor do que o gasto para construir a mesma extensão
de metrô na avenida Paulista, em São Paulo.
Além disso, por ser elétrico, o VLT é mais silencioso e gera menos poluentes do que o BRT (Bus Rapid Transit ou corredor expresso de ônibus), por exemplo.
Além disso, por ser elétrico, o VLT é mais silencioso e gera menos poluentes do que o BRT (Bus Rapid Transit ou corredor expresso de ônibus), por exemplo.
A capacidade de uma composição de VLT é de cerca de mil pessoas –
metade daquela oferecida por um vagão de metrô, segundo Alouche.
Para Peixoto, este é um dos fatores que levaria a uma rápida
saturação do VLT caso ele fosse adotado para atender longas distâncias
na cidade de São Paulo.
A menor capacidade aliada à grande demanda por
parte dos passageiros geraria uma situação próxima a da Linha 4-Amarela
do metrô paulistano, inaugurada em maio de 2010
e que hoje já opera com vagões lotados em horários de pico. “O VLT é
interessante para cidades com até 2 milhões de habitantes", afirma
Peixoto.
Cintra chama atenção ainda para a questão urbanística, uma vez que a
construção de elevados para circulação do VLT poderia tornar a paisagem
da cidade mais feia. "O metrô é 'invisível', já o VLT deixa uma cicatriz
urbanística", diz o especialista da FGV.
Exemplos
Nos últimos anos, iniciativas semelhantes ao VLT foram cogitadas para
a Grande São Paulo.
O VLT de São Bernardo do Campo foi anunciado em
2009 e consiste num projeto de metrô leve.
Orçada em 27,6 milhões de reais, a proposta básica previa integração com metrô e trem.
Até meados de 2014, deve ficar pronto o primeiro trecho do VLT que
vai ligar Santos e São Vicente. O projeto ocupa a antiga linha férrea
das cidades e deverá transportar 70 mil pessoas.
No Brasil, outras cidades estão construindo linhas de VLT – como Rio, Brasília e Cuiabá. Na última, cerca de 80% de um trecho de 22,2 quilômetros de extensão do veículo já estão prontos.
Um exemplo de alternativa de transporte parecida com VLT adotada em
São Paulo é o monotrilho que deve operar na linha 17-ouro do Metrô-SP.
Suas obras já começaram, com a instalação de pilares na avenida Roberto
Marinho.
A conclusão do primeiro trecho da via, ligando o aeroporto de
Congonhas à estação Morumbi da CPTM, está prevista para o ano que vem.
No entanto, segundo Alouche, o custo de manutenção e operação do
monotrilho é mais elevado do que o do VLT - já que cada carro da
alternativa paulistana pode contar com 18 pneus.
Com índices de aprovação superiores a 80%, o Expresso Tiradentes
é outro modelo alternativo de transporte em funcionamento hoje em São
Paulo. "Ele tem toda característica de VLT, só que em vez de trilhos,
opera sobre pneus", afirma Cintra.
Na cidade, Peixoto entende que o VLT pode funcionar bem caso seja
integrado ao metrô – como acontece em Bruxelas, na Bélgica. "Hoje, a
solução para o transporte público em São Paulo é multimodal e implica
num mix de opções", resume Cintra.