28 novembro 2010

Transformações urbanas

As obras físicas programadas para transformar Fortaleza numa das subsedes da Copa do Mundo de 2014 começam a ser anunciadas, provocando inquietações nos moradores dos imóveis ao longo das áreas que serão desobstruídas. Este é o preço natural do progresso, embora traga desassossego àqueles que serão obrigados a transferir o local de sua residência ou de seus negócios. Como obras de interesse público, elas se sobrepõem aos interesses particulares, mas devem ser realizadas de modo a minimizar seus efeitos.

O Estado detalha o projeto de um metrô de superfície, estimado em R$ 265,5 milhões pela Secretaria das Cidades, usando o sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), aproveitando os espaços do ramal ferroviário Mucuripe-Parangaba, com variante alcançando o Estádio Governador Plácido Castelo (Castelão). Esse trem urbano interligará a orla marítima à principal arena das decisões classificatórias dos jogos mundiais, com acesso ainda ao Metrofor, em fase de implantação.

O futuro sistema de transporte de massa beneficiará 22 bairros, com percurso de 13 quilômetros, ao longo dos quais serão instaladas dez estações de superfície. A Caixa Econômica Federal financiará R$ 170 milhões das obras do trem, enquanto o Estado entrará com a contrapartida de R$ 95,5 milhões para as indenizações de 3.500 famílias, ocupantes dos terrenos pertencentes ao patrimônio da antiga rede Ferroviária Federal transferido para a União.

Encerrada a Copa do Mundo, o VLT estará incorporado ao sistema de transporte da Capital, solucionando em parte os graves problemas de mobilidade urbana. Embora o projeto ainda esteja na prancheta, já tem data para estar concluído: junho de 2013. Ganhará a cidade mais um versátil meio de transporte para encurtar as distâncias e descentralizar o sistema viário, já com estrutura comprometida.

A Rede Ferroviária Federal e sua sucessora no âmbito do serviço público federal vacilaram no controle efetivo dos espaços de segurança do fluxo dos trens de carga, usuários cativos do ramal Parangaba-Mucuripe. Essa falha, durante décadas, permitiu a invasão de moradias improvisadas às margens do leito ferroviário, causando riscos de vida a seus ocupantes por ficarem bem próximas dos trilhos. Qualquer acidente com as composições circulantes pode resultar em consequências imprevisíveis.

A desapropriação dos imóveis construídos nesses terrenos irá permitir, também, o alargamento da Via Expressa, cada vez mais utilizada pelo transporte rodoviário de cargas originadas no Porto do Mucuripe. Diante do caso, o poder público acena com a oferta de três opções: relocalização da família em conjunto habitacional, indenização das benfeitorias ou permuta por outro imóvel de igual valor.

Em intervenções dessa ordem, imprescindíveis ao Estado, a organização dos moradores e a informação bem difundida sobre as mudanças previstas atenuam os eventuais conflitos. Esse cuidado não estaria sendo priorizado, dando margem a boatos deletérios. O metrô é uma prioridade que será executada melhor com a compreensão dos atingidos por seu raio.

Arquivo INFOTRANSP