26 setembro 2013

Arqueólogos acham tesouros do Império nas obras do metrô

Em escavações na Leopoldina, 200 mil objetos, alguns do século XVII.
Entre os achados, está uma escova de dente que pode ter sido de Pedro II.


Uma escova de dentes que pode ter pertencido a Dom Pedro II é achada em obras de expansão do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)Uma escova de dentes que pode ter pertencido a Dom Pedro II é achada em obras de expansão do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)
 
Um tesouro arqueológico foi achado nas escavações de um terreno, no Centro do Rio, nas obras do metrô. 

Entre peças inteiras e alguns fragmentos, são mais de 200 mil objetos, alguns do século XVII, informou o consórcio da Linha 4 do metrô do Rio. 

Os arqueólogos descobriram porcelanas e recipientes de vidro, alguns ainda com líquidos dentro, itens de higiene pessoal e até joias de ouro. 

Na época, não existia coleta de lixo e muitos objetos eram enterrados nos quintais das casas. 

A quantidade e qualidade do material encontrado são impressionantes”, afirmou Cláudio Prado de Mello, arqueólogo responsável pelo trabalho de pesquisa no local.

Esse tesouro todo estava na área da Leopoldina, nas obras da Linha 4 do metrô (Barra da Tijuca – Ipanema)

Alguns objetos, segundo os arqueólogos, pertenceram à Família Real portuguesa, como uma escova de dente bem acabada que traz a inscrição com o nome do imperador. 

Na escova de marfim está a inscrição em francês: "S M L’EMPEREUR DU BRESIL" (Sua majestade, o imperador do Brasil). Segundo o arqueólogo, ela pode ter pertencido a Dom Pedro II ou outro membro da Família Real portuguesa, que vivia ali perto, em São Cristóvão.

Além da inscrição, a tese é reforçada não só pela proximidade da região com o Palácio da Quinta da Boa Vista, mas também pelo fato de a história mostrar que a região da atual Leopoldina servia como local de descarte de resíduos provenientes do Palácio Imperial. 

Há ainda canecas com o brasão da família real, frascos de perfume e joias dos nobres da época do Império.

“Entre 50 centímetros e 2,5 metros da superfície encontramos peças de louça, vidro, porcelana, couro e até ouro. 

Com este trabalho, iniciado em março, é possível reconstituir o passado de toda essa região”, diz Cláudio.

Outros mostram curiosidades, como um vidro de desodorante, que na época era chamado de "anti-catinga", nome que aparece gravado no frasco. 

Os itens encontrados serão analisados e catalogados.

"A gente até tinha a ideia de encontrar um sítio arqueológico, só que ninguém imaginava que ia encontrar um sítio com essa complexidade e riqueza. 

E que poderia permitir reconstituir e resgatar o passado de gerações e gerações de brasileiros e estrangeiros a partir do que eles deixaram como resíduo", disse o arqueólogo.

As peças foram encontradas no terreno da Avenida Francisco Bicalho, ao lado da antiga estação de trens da Leopoldina, onde foi instalada a fábrica de anéis de concreto que serão utilizadas pelo Tatuzão, equipamento que vai escavar os túneis da Linha 4 do Metrô entre Ipanema e Gávea. 

O Consórcio Linha 4 Sul informou que a equipe de arqueologia acompanha a execução das obras da Linha 4 para o caso de aparecer algum material durante as escavações. 

No entanto, na Leopoldina o serviço foi intensificado, pois já se tinha notícia da existência do sítio arqueológico.
Peça de cerâmica é exibida; vários objetos foram encontrados durante obra do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)Peça de cerâmica é exibida; vários objetos foram encontrados durante obra do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)
Arqueólogo Claudio Prado de Mello limpa peça de cerâmica encontrada durante obras de expansão do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)Arqueólogo Claudio Prado de Mello limpa peça de cerâmica encontrada durante obras de expansão do Metrô do Rio (Foto: Pilar Olivares/Reuters)
 

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