18 novembro 2012

'Falta de ferrovias é um atestado de burrice', afirma Alexandre Garcia

A falta de ferrovias é um atestado de burrice estratégica de uma sucessão de governos. 

Um país de dimensões continentais, com distâncias de até quatro mil quilômetros, não ter trem é algo incompreensível, concentrar-se no transporte a conta-gotas, sobre pneus. 

Um país tão rico que se dá ao luxo de jogar trens e ferrovias no lixo.

Justamente o trem que falta para o país transportar sua riqueza maior, que são as pessoas, mas também as demais riquezas, as que vêm da terra e das fábricas.

Quando começou a opção rodoviária, para estimular a indústria automobilística, também começou a decadência da ferrovia. E se esvaziaram as estações ferroviárias, tão populares que eram chamadas apenas de estações.

Nas cidades européias, a estação de trem, acessível dentro do centro urbano, é o principal lugar de entrada e saída. 

Aqui, as estações ou foram demolidas ou viraram ruínas e umas poucas se converteram em centros culturais ou museus de um passado mais racional que o presente.

O último trem é testemunho de um transporte seguro, confortável, divertido, embora com a lentidão do passado.

 O último trem ‘bão’ tinha que ser de Minas. Que ele seja a semente de uma ressurreição, porque o trem não será concorrente do ônibus ou do avião, mas um alívio para aeroportos e estradas abarrotados. 

Como tudo no país da imprevisão, é preciso chegar ao último trem, ao fundo do poço, para depois tentar se levantar, quando fica bem difícil.

Arquivo INFOTRANSP