Com 30 mil carros a mais em 2014 e sem avançar em projetos de mobilidade, cidade continuará embretada por congestionamentos
Sem avançar em projetos de infraestrutura de transporte e mobilidade
urbana, Porto Alegre continuará embretada por congestionamentos em 2014.
Com a entrada em circulação de 30 mil novos veículos neste ano, a
cidade verá o número de carros crescer em maior proporção do que a
população - para 2014, a estimativa é de 18 mil nascimentos na Capital.
Desde 2007, a frota aumentou cerca de 30% — de 591,6 mil veículos
para 774,7 mil em 2013 — o equivalente a um carro para cada duas
pessoas.
A facilidade de parcelamentos para a compra de zero-quilômetro
somada às limitações do transporte coletivo e de alternativas como
ciclovias ainda fazem do automóvel uma prioridade para os
porto-alegrenses.
A projeção é de que o ano termine com 800 mil veículos
rodando pelas ruas.
Alguns dos projetos para melhorar a mobilidade, como a implantação
dos BRTs (sistema de ônibus rápido), a duplicação da Avenida Tronco, o
prolongamento da Avenida Severo Dullius e a duplicação da Rua
Voluntários da Pátria, ficarão para 2015. Outros, como o Complexo da
Rodoviária e as trincheiras da Terceira Perimetral, não têm previsão de
entrega.
— O mais importante era que os BRTs ficassem prontos. Esse sistema,
que reúne vários modais, é o que irá mudar a cara da mobilidade em Porto
Alegre — afirma o engenheiro de tráfego urbano Luis Antônio Lindau.
Veja um mapa de possíveis soluções para desafogar o trânsito da Capital (clique na imagem para ampliá-la):
A fim de ajudar a desafogar o trânsito da Capital, especialistas
também sugerem a adoção de medidas para restringir o uso de veículos.
Áreas com redução da velocidade, como as "zonas 30" — onde a velocidade
máxima é limitada a 30 km/h — e a cobrança de taxas em locais de
trânsito mais intenso são propostas de Lindau e do urbanista Vinicius
Ribeiro, deputado estadual que presidiu a comissão especial de
Mobilidade Urbana na Assembleia em 2013.
O ideal, conforme o Plano Diretor de Mobilidade Sustentável em estudo
para o RS, é de que 60% dos deslocamentos sejam feitos a pé, de
bicicleta ou por meio de transporte público.