09 maio 2014

Metrô é inevitável, mas não é a única solução para Curitiba

Presidente Dilma Rousseff participa na Capital do lançamento do edital para a construção do primeiro trecho do modal

 A presidente Dilma Rousseff vai estar nesta sexta-feira (9) em Curitiba para acompanhar o lançamento do edital de licitação do metrô junto com o prefeito Gustavo Fruet. 

A obra é uma das mais importantes de mobilidade e também o de maior longo prazo — deve terminar apenas em 2019 — e caro (custar R$ 4,5 bilhões). 

Mas também é um dos passos que a Capital paranaense dá para recuperar o título de “cidade modelo e o posto de destaque por suas inovações no transporte urbano”.

Além do metrô, que inicialmente terá 17,6 quilômetros, entre o bairro CIC-Sul e o Terminal do Cabral, a Prefeitura de Curitiba aposta também no aumento da capacidade dos BRTs (corredores exclusivos de transporte), na conclusão da Linha Verde e na reestruturação do Inter 2, também conhecido como Ligeirinho.

 Os três projetos custarão R$ 640 milhões. Há ainda o Plano Diretor Cicloviário, um conjunto de ações que exigirá investimento de R$ 90 milhões até 2016 para a instalação de bicicletários nos terminais de ônibus e 300 km de vias para bicicletas.

A ênfase dada pela atual gestão à mobilidade urbana é grande. E não poderia ser diferente. 

No começo de 2013, Gustavo Fruet compareceu à sua posse de bicicleta e se mostrou preocupado com a situação da cidade. “O transporte é uma bomba relógio”, afirmou. 

Agora, no seu segundo ano de mandato, pretende investir R$ 1,848 bilhão do orçamento do município somente no plano de mobilidade.

Contudo, para que as pessoas possam continuar se movendo, mais do que verbas públicas — escassas e sujeitas à dificuldade de gerenciamento — é necessário se mudar o conceito da cidade, cujo transporte ainda se baseia em carros. 

Curitiba é a capital do Brasil com maior número de carros por moradores (1,82), segundo levantamento feito pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).

Para iniciar essa quebra de paradigma, uma das iniciativas da Prefeitura foi a implantação da primeira faixa exclusiva para ônibus na cidade, que se estenderá por 2.500 metros da Rua 15 de Novembro, entre a Avenida Nossa Senhora da Luz e a Rua João Negrão.

 Uma das medidas mais “radicais”, porém, são as chamadas Vias Calmas. 

Nela, os ciclistas têm preferência e vão transitar exclusivamente pelo lado direito da via, sobre área demarcada. 

A primeira faixa, inclusive, já começou a ser pintada na avenida Sete de Setembro, onde a velocidade máxima permitida entre a rua Mariano Torres e a Praça do Japão passará a ser de 30 km por hora.

Ariadne Giacommazzi Mattei Manzi, supervisora de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), acredita que as novidades poderão encontrar alguma resistência no início, em especial se tratando das bicicletas. 

O tempo, porém, deverá mudar a opinião das pessoas. “É uma quebra de paradigma. Antigamente só falávamos do ônibus, do carro, do pedestre. Agora estamos incluindo as ciclofaixas, as ciclorrotas e as ciclovias”, afirma. “No princípio, as medidas não vão agradar todo mundo, mas depois a população irá se adaptar. Irão perceber, por exemplo, que andando de bicicleta você vai chegar muito mais rápido e com muito menos incômodo”, completa.

Doutor em Gestão Urbana, o professor de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Zanei Ramos Barcellos, aponta que, apesar das diversas iniciativas da Prefeitura, ainda há muito trabalho a ser feito na cidade. 

“O prefeito foi eleito justamente na esperança de mudança, para que Curitiba resgatasse o papel que teve no Paraná, no Brasil e no mundo como cidade exemplo, cidade que estava à frente de seu tempo. Contudo, ainda não vimos obras significativas. Parece que ele só tem continuado, terminado as obras que estavam previstas na gestão anterior”, critica.
Entre os diversos problemas na mobilidade urbana da cidade, Barcellos destaca o transporte coletivo problemático - “ineficiente e com trajetos irracionais” - que acaba por fazer as pessoas preferirem encarar o trânsito congestionado a ter de enfrentar o ônibus lotado. “Curitiba precisa ter um transporte coletivo de qualidade, que faça as pessoas optarem por deixar o carro em casa. Era essa a ideia do ex-prefeito Jaime Lerner quando ele inaugurou o ônibus expresso em 1974, mas isso nunca ocorreu. O curitibano nunca trocou o carro pelo expresso”, aponta.

Para Zanei, a construção do metrô é  inevitável por conta do tamanho da Capital paranaense. 

Outras medidas, porém, poderiam ajudar (e bastante) o sistema, como a bilhetagem eletrônica em ônibus, que já existe em São José dos Pinhais, onde os usuários podem trocar de linha sem pagar outra passagem não apenas nos terminais, o que reduz o custo e o tempo para se chegar ao destino. 

Além disso, é preciso incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte.

 “O trânsito ainda é perigoso para o ciclista e os trajetos não são estudados para o dia a dia de trabalho e estudo. 

Além disso, há a concepção do lazer e não de sistema de transpórte diário”, finaliza Zanei.

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